Fechado até mais ver
Como podem reparar, há quase um ano que deixei de escrever aqui... deixei de ter tempo para os blogues e as crónicas para o "Portugal Express" que eu "republicava" aqui morreram com o jornal. Já não tenho 29 anos há algum tempo, mas continuo a ser jornalista. Não liguem ao que está no canto superior direito. Obrigado a todos os que me leram e viram as minhas imagens.
Além da falta de tempo, o fecho da maior parte dos blogues que lia (Barnabé, Fora do Mundo...) desmotivou-me. Talvez um dia destes comece um novo blog, individual ou colectivo. Quanto às fotos, cuja divulgação era o primeiro objectivo deste espaço, podem continuar a ser vistas numa galeria em permanente actualização:
www.olhares.com/rfigueira
Até sempre.
Terça-feira, Junho 27, 2006
Segunda-feira, Julho 11, 2005
Domingo, Julho 03, 2005

Movimentos
A série de fotos "movimentos" é sobre locais de partida e chegada, pessoas que se movimentam entre dois pontos - duas cidades, dois países ou apenas percursos curtos. Muitas destas fotos estão tremidas porque as pessoas também não estão imóveis.
Enquanto não chega o novo scanner, vou publicando aqui mais algumas fotos tiradas do baú. A primeira foi feita na estação de Charing Cross, em Londres (Julho 2004) e a segunda na Gare de Lyon, em Paris (Abril 2003) . Finalmente, uma que fiz em 1997, no metro de Lisboa, que se chama M-126.
A actualização dos links fica para quando tiver menos perguiça.
Bom domingo.
RF
Sábado, Junho 25, 2005

Uma casa portuguesa
Desejo-vos bom fim-de-semana, com mais uma foto tirada do baú. Representa uma casa portuguesa, com certeza, e foi tirada do adro da Sé do Porto, no ano passado, em pleno furor do Euro (do campeonato, não da moeda...)
Aproveito para vos convidar a visitar a minha galeria no Olhares (ainda não tem muitas fotos).
O site é muito interessante, conheci-o através do meu amigo Pedro, cuja galeria eu recomendo vivamente - e de quem destaco esta foto. 
Terça-feira, Junho 21, 2005
D'arrastar
(c) Hélder Gabriel - Lusa
Sobre o "arrastão", tão noticiado na última semana, e a consequente manifestação de sábado em Lisboa, queria apenas dizer duas coisas:
1- A solução para os extremismos não é a ignorância. Os media, a opinião pública e a classe política devem adoptar uma posição crítica sobre o fenómeno dos grupos de extrema-direita sem caír no boicote mediático (a pior das vias) e sem ao mesmo tempo exagerar os acontecimentos. Devem ser compreendidos os porquês e qual a melhor maneira de lidar com o problema. Uma boa forma de começar esse gesto de compreensão é deixar de usar aspas em tudo o que vem desses grupos (com os quais, obviamente, não me identifico). Por que razão a manifestação foi "contra a criminalidade" e não apenas contra a criminalidade? Se foi justificada ou não, essa é outra questão... É preciso separar o trigo do joio, perceber que entre os ditos grupos há verdadeiros criminosos, mas também pessoas que têm apenas ideias discutíveis.
2- O fenómeno do racismo tem que ser encarado de forma mais alargada. Perceber que o racismo gera racismo - e que este não é só de um sentido. O "arrastão", por muito que custe compreender para muitos, foi uma manifestação racista.
RF
PS: Tiro o chapéu a Hélder Gabriel, fotógrafo amador e dono de um bar em Carcavelos, que graças a um punhado de (muito bons) clicks conseguiu ver as suas fotos reproduzidas em todo o Mundo. É a sorte de estar no local certo à hora certa... e ter o reflexo certo!
Galhardetes
Parabéns ao Aviz pelos dois anos de existência.
E obrigado aos mais recentes amigos deste blogue: Abusivo, VIAGENS NO MEU SOFÁ, Blog de Stand-up Comedy - Cuidado com o Degrau, O Proletário Vermelho, Ciudad de ilusiones, Secreto a voces, Um blog de Rui Baptista, Nós e os Outros, Do Portugal Profundo, Sagrada Família, Antro do Anho, Suburbano, Flor do Asfalto II, palavras alheias, Prosa Solta, Lisbon Photos e finalmente o delicioso Mala-pata, ou os esforços que um bife residente em Porto Santo faz para blogar em (algo parecido com) português. Recomendo!
RF
Quarta-feira, Junho 15, 2005
Agora falando sério...
Como dizia a canção do Chico Buarque (o post anterior sobre Álvaro Cunhal era, obviamente, uma piada, ou como dizem os pseudo-intelectuais armados em franciús, uma blague). 
Dele posso dizer todos os lugares comuns que já foram ditos: que foi um homem sempre fiel aos princípios. O que não é uma qualidade, uma vez que só quem tem os olhos vendados não é sensível ao que muda à sua volta. Mas não deixa de merecer respeito, se não admiração, ver como alguém nunca se deixou ir em modas como ele não deixou.
Mais do que essa fidelidade aos princípios, Cunhal não pode deixar de ser admirado pela história de resistência que teve - mesmo se à ditadura fascista preferiu outra ditadura, igualmente opressora.
Associada a essa fidelidade esteve sempre outra característica de Cunhal - a inflexibilidade. Em 1999, trabalhava para uma produtora que fazia um talk-show para a TVI. O meu chefe de redacção, Paulo Aido, sugeriu-me que continuasse, na televisão, uma notícia que ele tinha feito, uns anos antes, para o "Tal&Qual" - a história de uma senhora, a D.Celeste, que acolheu por alguns meses os clandestinos Álvaro Cunhal e Sérgio Vilarigues, nos idos dos anos 50, na aldeia da Chamboeira, perto de Bucelas.
A reportagem - não sei se chegou a ir para o ar - parecia no mínimo interessante, com depoimentos da senhora e um reencontro emocionante com Vilarigues, que aceitou acompanhar a nossa equipa de reportagem e fazer uma surpresa à D. Celeste. Faltava a cereja em cima do bolo: o próprio Cunhal.
Conseguir tal não era fácil. Através dos assessores do PCP seria missão (quase) impossível, por isso tentámos apanhá-lo durante um encontro com jovens na biblioteca municipal de Constância. Conseguimos um sítio ideal - uma varanda em frente ao Tejo. Colocámos lá a cadeira e a câmara, testámos a luz. Tudo pronto. Findo o encontro, dirijo-me a Cunhal, apresento-me e convido-o a fazer um depoimento para a câmara sobre a D. Celeste. Cunhal sorriu, perguntou como estava a senhora ao fim de tantos anos e finalmente declinou o convite. Expliquei-lhe então que a D.Celeste ficaria contente se ouvisse uma palavra dele, ela que o ajudou quando ele mais precisava. Olhou-me nos olhos, voltou a sorrir e disse apenas uma palavra: não.
Nesse dia, saí de Constância com a impressão de ter falado com uma pedra. Para muitos, essa firmeza era a grande qualidade de Cunhal. Para mim, pode ter sido o maior defeito.
RF
PS: Em breve, neste blogue, fotos do funeral de Álvaro Cunhal.
Segunda-feira, Junho 13, 2005
Bem-vinda, Florence!
Ler aqui.
Um homem de coragem
Interrompo as férias (pessoais e do blogue) para lembrar o agora falecido Álvaro Cunhal, que ao longo de toda a vida deu provas de uma grande coragem. Uma dessas provas foi agora retransmitida pela RTP. Numa entrevista com Carlos Cruz, ousou mostrar a fotografia dos netos. Realmente, é preciso coragem!
Álvaro Cunhal 1913 - 2005
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